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sábado, 14 de setembro de 2013

Ideologias políticas e autárquicas

No próximo dia 29 de Setembro os portugueses terão oportunidade de escolherem os seus representantes políticos mais próximos. As Autárquicas são, inegavelmente, um acto eleitoral que se reveste da maior importância, muito mais na actual conjuntura na qual os fundos escasseiam e são necessárias boas ideias e uma visão rigorosa na aplicação do dinheiro de todos os contribuintes. Pessoas com imaginação e que saibam fazer "mais com menos" são essenciais. 

Os partidos políticos e alguns movimentos independentes, apresentaram, por todo o país, os "seus candidatos", as "suas equipas" e os "seus projectos". Na verdade esta é a designação oficial. O candidato X é do PS, o Y é do PSD o Z do CDS/PP, etc. Na realidade, do ponto de vista do poder local, a ideologia partidária é igual a zero. Ou seja, é praticamente impossível olhar uma micro-realidade, como é o caso de um concelho, e tentar implementar nesse mesmo espaço os valores do socialismo, da democracia cristã, da social-democracia, do comunismo etc. Muito mais que a ideologia (leia-se partido político) importam as pessoas e os projectos. Quando faço referência às pessoas, a maioria dos eleitores tende a ser minimalista, olhando apenas para o "cabeça de lista". Tão ou mais importante do que quem dá a cara, é a equipa que o acompanha, assim sendo, analisar as capacidades, idoneidade e competência de toda a lista parece-me muito mais relevante que gostar ou não de quem encabeça a mesma. 

Os partidos (apesar do progressivo, e cada vez mais notório, vazio ideológico) assentam as suas ideias em bases político-teóricas. Tal não acontece com as listas candidatas ao poder local, e ainda bem. Defender até à exaustão a "fatia de terra" para a qual foram eleitos deve sempre ser o desígnio mesmo que, para isso, tenham de ir contra as próprias convicções políticas e partidárias. A melhor lista não é necessariamente a do partido "A" só porque me revejo, do ponto de vista ideológico, nesse partido; muito pelo contrário. A escolha de cada eleitor deve, antes de tudo, ter por base a confiança nos candidatos.

Julgo portanto que votar nas autárquicas para "castigar" o Governo não é um voto responsável. Castiguem sim quem está na Câmara Municipal ou na Assembleia de Freguesia, se acham que merecem castigo. No próximo dia 29 não será o executivo de Passos Coelho que irá a votos; serão os nossos representantes mais próximos. Por isso mesmo, é importante votar com consciência, não olhando só para a cor partidária (num clubismo paupérrimo) mas sim para os projectos e pessoas. 

2 comentários:

Eduardo Cardozo disse...

Este é daqueles textos que só tu poderias escrever. Sintetizas muito bem tudo o que está em causa no sentido de voto nestas autárquicas. Desta vez conseguiste ser imparcial; é algo muito raro em ti mas desta vez conseguiste.

Parabéns mais umva vez pelo excelente projecto.
Abraço

Rocha, André disse...

Obrigado Eduardo. Eu não gosto muito de querer ser imparcial, aliás, quem tem opiniões não tem de ser imparcial.

Apesar de tudo, com este texto pretendi demonstrar aquilo que, pelo menos no meu entender, está em causa nestas eleições.

abraço e obrigado pelo incentivo.