Sábado, 20 de Agosto de 2011

Quando o laico não é tão laico quanto o laico deveria ser

Tema: visita do Papa Bento XVI a Espanha. Embora não apoie de forma alguma toda a violência que se tem propagado em Madrid durante estes dias, não posso deixar de me colocar ao lado daqueles que julgam que, volvidos tantos anos o Estado ainda está muito longe de ser totalmente laico.

Não é admissível que os impostos dos espanhóis patrocinem toda uma "jornada" de jovens com um objectivo exclusivamente religioso. Segundo li algures o Estado gastou a módica quantia de 60 milhões de euros para uma visita que pouco ou nada trará a Espanha do ponto de vista político. Ou seja, separação sim, igualdade sim, mas quando se trata de esbanjar dinheiro com o Papa aí a situação muda de figura. Numa época em que a Espanha atravessa uma crise económica sem precedentes, deitar ao lixo 60 milhões de euros é, no mínimo, lamentável.

Não estou de todo contra a visita do senhor Bento XVI mas sim com a quantidade de fundos gastos para tal visita. Se o Estado é laico o Papa deve ser visto apenas e só como um político que gere um país que é o Vaticano; logo deve ser tratado como um outro qualquer Chefe de Estado.

Aquando da visita de Bento XVI a Portugal pouca gente ou ninguém teve coragem para colocar o dedo nesta ferida sensível, por crença exacerbada ou por receio da fúria de toda uma sociedade. Felizmente em Espanha as vozes críticas entoaram de forma bem audível os seus argumentos o que me deixou sinceramente satisfeito.

Este é um problema dos espanhóis dizem vocês. Pena ser só dos espanhóis porque deveria ter sido também muito nosso!

1 Opiniões:

Marta Sousa disse...

O teu título mostra a questão central dos Estados laicos. Na verdade os que se dizem laicos de laicos têm muito pouco...